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Na viagem ao Peru, prepara-te para o mal de atitude!

Estás a preparar a viagem para o Peru e o mal da altitude está na lista das tuas preocupações? Compreendo, mas há riscos que valem a pena correr!

É verdade, a viagem ao Peru vai-te colocar em ambientes superiores a 2000 metros. O frio, a baixa humidade, o aumento da radiação ultravioleta e a diminuição do oxigénio atmosférico são fatores que preocupam sendo que, neste leque de condicionantes, a hipoxia (falta de oxigénio) é o mais preocupante. Sem oxigénio não há vida, na falta de dele o teu organismo reage com o ritmo cardíaco e a ventilação a darem o primeiro alerta. O teu corpo precisa de tempo para se adaptar ao novo ambiente!

O ideal é viajar durante 3 a 5 dias em altitudes inferiores os 2000 metros antes de te aventurares a altitudes superiores a 3000 metros. Se queres viajar para lugares acima dos 5000 metros, a aclimatização é mais longa e possivelmente levarás mais de uma semana a te adaptares.

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Lago Titicaca a mais de 3800 metros de altitude

Quais os riscos que vais correr?

Num país como o Peru, há vários locais onde podes experienciar os efeitos da altitude. Assim, numa cidade como Cusco, a uma altitude média acima dos 3000 metros, a consequência mais comum é o Mal da Montanha Agudo. Podes sentir cansaço ao subir uma pequena rua ou apresentar cefaleias intensas que podem ser acompanhas de náuseas ou até mesmo vómitos. Não entres em alarmismos, é necessário tempo para a climatização.

Mesmo que sejas saudável e estejas em boa forma física isto pode ocorrer! Por isso, a climatização é fundamental! A adaptação previne doenças advindas da altitude, como melhora o conforto, o bem-estar e o desempenho no exercício a realizar.

O Edema Agudo do Pulmão ocorre mais raramente. A incidência é de um em cada cem escaladores a uma altitude acima dos 4270 metros. É mais frequente nos homens do que nas mulheres e ocorre pela acumulação de água no espaço pulmonar. Alguns dos sintomas que podes apresentar são: dispneia, tosse, fadiga e expectoração rosada devido à presença de sangue. Esta situação pode ser fatal. Portanto, perante os sintomas, é recomendado baixar a altitude ou administrar oxigénio.

O Edema Cerebral da Altitude é a progressão severa do mal estar da altitude e a sua incidência é rara. Muitas vezes está associado ao Edema Agudo do Pulmão.  Em conjunto com os sintomas habituais de cansaço, dispneia a pequenos esforços e cefaleias, podes também apresentar confusão, descoordenação muscular ou até mesmo inconsciência. Novamente, a solução é descer abaixo dos 3000 metros e providenciar cuidados médicos especializados.

Para recomendações mais detalhadas sobre os problemas que possam surgir na Altitude, recorre ao site Centers for Disease Control and Prevention.

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Machu Picchu a 2400 metros de altitude

O que podes fazer para prevenir ou reduzir os efeitos da altitude?

A recomendação mais importante, e que deves ter sempre em consideração para qualquer viagem, é a realização de uma consulta de viajante. Depois, prepara a tua mala de viagem com um kit de primeiros socorros (incluindo a medicação específica).

No entanto, há recomendações importantes no que confere à prevenção ou redução dos efeitos do mal de altitude. Aqui fica uma lista de conselhos:

  1. Sobe gradualmente, se possível. Evita ir diretamente de baixa altitude para mais de 2750 m de altitude num 1 dia. Uma vez acima dos 2,750 m de altura, não ascendas mais de 500 m por dia, e planeia uma taxa/dia para a aclimatização a cada 1000 m.
  2. Evita álcool e café durante as primeiras 48 horas.
  3. Bebe muita água e caso realizes um trekking leva pelo menos entre 2 a 3 litros de água.
  4. Nas primeiras 48 horas realiza apenas exercícios/caminhadas leves. Depois, sempre que realizes uma caminhada, vai devagar e pára as vezes que for necessário.
  5. Considera o uso de acetazolamida para acelerar a aclimatização, se planeias uma subida abrupta (provavelmente o médico da consulta do viajante te irá prescrever). Nas comunidades andinas, o remédio mais comum são as folhas de coca. Infusões de folhas de coca ou simplesmente mascando (atenção, não engulas!). Em outras regiões do globo, estas folhas serão raras e ilegais. Outra solução é o consumo de gingko biloba. Crê-se que este suplemento ajuda a acelerar o processo de aclimatização e a reduzir os efeitos do mal da altitude.
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Laguna 69 a 4600 metros de altitude

Estás assustado com tantos riscos? Primeiro, não te preocupes tanto senão não aproveitas a viagem! Segundo, planeia a viagem e fica em alerta para os possíveis sinais e sintomas! Vale a pena correr este risco até porque há lugares mágicos, com Cusco (3399 metros), o Lago Titicaca (3821 metros), Machu Picchu (2430 metros), a montanha da sete cores (5200 metros), a Laguna 69 (4600 metros), o Glaciar Pastoruri (5200 metros) e tantos outros, que são imperdíveis!

Depois disto tudo, estás a pensar que estou a escrever sem experiência sobre o assunto? Então conto-te que estás errado! Sofri do mal de altitude por duas vezes quando realizei trekkings acima dos 5000 metros de altitude. Se os faria de novo? Sim, com toda a certeza! Foram alguns dos momentos mais inesquecíveis que vivi na minha viagem ao Peru!


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