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Ricardo Ribeiro

Não é inédito, mas certamente será pouco comum: tinha quarenta anos quando visitei alguma coisa para além da Ibéria. Desde essa altura nunca mais parei. A viagem tornou-se um estilo de vida.

Deixei um passado relativamente comum: uma formação universitária em História, uma década com o uniforme de oficial da Marinha, mais uns quantos anos a criar websites de forma independente.

Tudo isto mandado para trás das costas, substituído por um mundo de aventuras, por explorações de bases soviéticas abandonadas, de desertos silenciosos, de noites loucas em aldeias nas montanhas dos Balcãs, de cavaqueira com barbudos de AK-47 ao ombro nas estradas da Síria.

Das cidades da Europa Ocidental passei a paragens menos comuns: Cáucaso, Curdistão… e os desafios aumentaram de intensidade… meses a vaguear pela América Central… já a imaginar a próxima travessia louca.

Muitas vezes dei comigo a pensar… “viajar é isto. viver é isto”. E foi quase sempre quando me vi rodeado de gente diferente, de pessoas com outras vidas, talhadas por culturas diferentes. Fez-me matutar, porque viajo eu? E percebi: para conhecer e compreender o mundo e as pessoas que nele habitam.

As coisas do passado ficaram nas aulas do curso de História. As maravilhas naturais são bonitas, mas o que me fascina mesmo são as manifestações de identidade humana.