Quando fechamos os olhos e pensamos em Marrocos, vêm-nos à memória os cheiros intensos dos souks, os vultos feitos de djellabas, a comida deliciosa, a diversa e arrebatadora arquitetura, as paisagens de tirar fôlego, o som das frenéticas cidades e o povo acolhedor. Contudo, é nas cores que Marrocos nos oferece, e para as quais muitas vezes não estamos preparados, que a sua beleza se funde e temos uma outra perceção do país.
Desde o azul ao rosa, do branco ao amarelo, muitas são as cores com que este país, de uma herança cultural inquestionável, adorna as viagens de quem por lá passa. A alegria dos souks tingida nas coloridas cerâmicas, babuches, candelabros e as contrastantes djellabas, funde-se de tal forma que dá origem a cidades conhecidas por tons monocromáticos, cidades essas que nos fazem sentir como que num mundo das maravilhas.
Chefchaouen é o exemplo que nos chega do Norte. A cidade azul, como é conhecida, tem as montanhas do Rif como tela. Casas caiadas de branco com apontamentos de azul índigo, atraem os viajantes que se gostam de passear pelas ruas e ruelas da cidade, apreciando o seu ambiente descontraído.

A pituresca e azul cidade de Chefchaouen (Créditos: Miriam Augusto)
A cerca de 200 km mais a Sul, temos a mais antiga das cidades imperiais e a capital intelectual e cultural de Marrocos. Fés não poderia corresponder à sua elegância se não se vestisse de branco. Desengane-se quem pensa que a sua cor é enfadonha. Na verdade, apontamentos de cor não lhe faltam, basta dar um salto aos curtumes para logo nos cruzarmos com castanhos, amarelos e vermelhos.

Os emblemáticos curtumes de Fés (Créditos: Miriam Augusto)
Também é digno de referência o dourado deserto Saara com os seus vastos montes ondulantes de areia, ponteados aqui e e ali por caravanas de camelos. Ao fim do dia, dá-nos cor no seu máximo esplendor em tons laranja, vermelho e amarelo.

As incríveis dunas do Deserto Saara (Créditos: Miriam Augusto)
No entanto, jamais poderíamos deixar de falar da cidade que deu o nome a Marrocos, Marrakech. Para quem se passeia dentro da sua Medina talvez não se aperceba, mas basta sair por uma das monumentais portas da sua impressionante muralha para nos depararmos com os tons rosa quente que vão mudando conforme a hora do dia e intensidade da luz.

Uma senhora caminha ao londo da muralha da Medina de Marrakech (Créditos: Miriam Augusto)
Quando em Marrocos há que manter todos os sentidos bem despertos e estarmos preparados para os assaltos a cada segundo. Já em casa, quando fechamos os olhos vêm-nos à memória os cheiros intensos dos souks, os vultos feitos de djellabas, a comida deliciosa, a diversa e arrebatadora arquitetura, as paisagens de tirar fôlego, o som das frenéticas cidades, o povo acolhedor e…as cores!






