Conhecidas como uma das nações mais heterogéneas do mundo, é estimado que possamos encontrar nas Filipinas cerca de 110 culturas indígenas distintas. Isto corresponde a aproximadamente 3% da população, num país com mais de 100 milhões de habitantes.
Apesar de sofrerem de discriminação, falta de reconhecimento e variadas tentativas de posse das suas terras, estas culturas foram capazes de manter viva a sua identidade através de costumes, tradições, crenças e línguas nativas que herdaram dos seus ancestrais.
Fica a conhecer algumas culturas indígenas das Filipinas
Igorot
Os Igorot, ou povo das montanhas, são constituídos por distintos grupos étnicos que colectivamente constituem a maior comunidade do Norte da ilha de Luzon.
Temidos ao longo dos séculos pela sua hostilidade perante potenciais rivais e inimigos, os Igorot adaptam-se bem às dificuldades do terreno acidentado da cordilheira montanhosa e sobreviveram a inúmeras investidas espanholas, mantendo ainda hoje a forma de vida tradicional.
Algumas das culturas indígenas que constituem os Igorots são os Kankanay, Ilongot, Ifugao, Ibaloi, Kalinga ou os Bontoc.
Kankanay
Em Sagada, a comunidade indígena Kankanay mantém as tradições pagãs e animistas, sendo particularmente conhecida pelos seus rituais de morte.
Aquando da morte de um familiar, os Kankanay reunem-se em sinal de respeito e participam na cerimónia fúnebre que implica o sacrifício de animais e, opcionalmente, ao derramamento do próprio sangue dos seus participantes sobre o corpo do defunto. Têm a convicção que essa prática lhes trará sorte e riqueza.
De seguida, colocam os restos mortais em caixões (alguns pintados e coloridos) e elevam-nos junto de colinas ou montanhas, acreditando assim, que o ajudarão a ficar mais próximo do paraíso. Esta é uma prática ainda frequente mas que, devido às influências cristãs, se tornou menos comum com a adoção de práticas mais modernas.

Rituais de morte em Sagada (Créditos: Pixabay)
Bontoc e Kalinga
Estas culturas indígenas ainda mantêm a tradição de cravar na pele formas geométricas e antropomórficas, quando sujeitos a rituais de passagem ou no cumprimento de algum objetivo. Os caçadores de cabeças, hoje uma prática abolida, utilizavam as suas tatuagens como demonstração de glória, bravura e poder.
Atualmente ainda é possível observar estas marcas nestas comunidades, sendo que a tatuadora mais velha do mundo vive em Butbu. Whang-od Oggay, de 102 anos, continua a tatuar locais e turistas que ali se deslocam através de bambu e carvão vegetal.
E para melhor conhecer a cultura das diversas comunidades indígenas da região, o museu de Bontoc torna-se local de passagem obrigatório por preservar e apresentar a cultura das diversas tribos.
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Ifugao
O sopé das montanhas da região da Cordillera é a casa dos Ifugao, também conhecidos como o “povo da terra” ou das “colinas”.
Esta comunidade orgulha-se da prática milenar que colocou a região na lista da UNESCO com o reconhecimento de 5 dos seus 48 terraços de arroz como Património Mundial. Frequentemente chamados de oitava maravilha natural do mundo, os terraços de arroz da região onde os Ifugao habitam foram esculpidos ao longo de gerações possuindo um sistema agrícola tradicional que permite a manutenção da irrigação dos seus campos.
Nos dias de hoje, esta comunidade (espalhada amplamente pela região da Cordillera) mantém este sistema, as suas habitações tradicionais e as festividades ancestrais de celebração do final da época de colheita do arroz – Punnuk – utilizando indumentárias únicas.

Ancião Ifugao junto aos terraços de arroz em Batad (Créditos: Pixabay)
Lumad
Em Mindanao e no Oeste do grupo das ilhas Visayas, existem grupos tribais não-islâmicos que colectivamente são conhecidos por Lumad – designação que é sinónimo de “nativo” ou “indígena”.
Estas tribos vivem num espírito de solidariedade e partilha entre todos, partindo do que a terra lhes dá e aplicando práticas sustentáveis na gestão dos recursos naturais. São ainda conhecidos pelas música tribal e instrumentos musicais que criaram e produzem em eventos e cerimónias comunitárias.
Siquijor
Apesar de não possuir uma identidade tão distinta como as culturas indígenas anteriores, Siquijor é uma ilha conhecida sobretudo pelo seu misticismo. Devido ao seu isolamento, os indígenas da Ilha das Bruxas, aprenderam a utilizar os recursos naturais existentes na ilha para elaborar poções no combate a mazelas e doenças.
No entanto, houve também quem utilizasse esses conhecimentos para criar outro tipo de poções. Assim, existem na ilha os xamãs (que praticam medicina tradicional e que se designam localmente de mananambal) e os feiticeiros (que praticam magia negra). A centenária árvore Balete é um dos locais onde ainda hoje se efetuam rituais de feitiçaria e que os locais acreditam ter capacidades curativas.

Árvore encantada em Siquijor (Créditos: Arianne Teodoro)
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