O caótico Shangri-La dos Himalaias
De acordo com a lenda, o vale de Kathmandu foi criado pelo “santo” budista Mañjuśrī , que utilizou a sua espada para esvaziar o gigante lago que o preenchia desde tempos pré – históricos. Embora não haja provas científicas da existência de tal espada, os arqueologistas confirmaram que o lago se esvaziou há cerca de 10 mil anos, embora os primeiros sinais de uma comunidade estabelecida no vale datem de há cerca de 4 mil anos.

Um dos locais património mundial UNESCO do Nepal, o stupa Bouddhanath, rodeado pela paisagem urbana de Kathmandu.
Tida na antiguidade como o fabuloso e inacessível Shangri-La, a cidade de Kathmandu foi fundada no século XII, durante o tempo da dinastia Malla e está intimamente ligada ao povo Newar, o principal grupo étnico residente no vale.
Nos últimos anos a cidade transformou-se na porta de entrada dos Himalaias e num ponto de paragem de aventureiros e backpackers. O resultado desta imensa popularidade foi o acelerado crescimento urbano das últimas décadas que acabou por englobar áreas vizinhas como Patan, na parte sul.
Depois de fortemente afectada pelo terrível terramoto de 2015, Kathmandu é hoje em dia uma mistura mágica de caos e beleza. Partindo do popular título “Comer, Orar, Amar”, aqui o que te propomos é “Comprar, Orar, Andar”.
Comprar

Loja nas ruas do distrito Thamel. (Créditos: Gerd Eichmann)
Outros mercados e antigos bazares que merecem uma visita são:
- o Asan Market estava na antiga rota comercial Índia–Tibete e tem sido um mercado vibrante durante vários séculos. Ao longo das suas ruas congestionadas, os vendedores vendem especiarias, têxteis baratos, artigos de casamento Nepaleses e muito mais;
-
no Kalimati Market o comércio não está orientado ao turista mas sim às famílias e negócios locais, uma vez que trata de venda por atacado ou grossista. Aqui encontras todo o tipo de ingredientes presentes nas cozinhas das casas ou restaurantes de Kathmandu;
-
nas imediações do museu Taragaon o mercado orgânico do fim-de-semana é o único na cidade certificado pelo gabinete de desenvolvimento da agricultura do distrito. Mais do que apenas uma manobra de marketing, este é um atestado à elevada qualidade dos produtos aqui encontrados;
-
o Art Market, que acontece uma vez por mês na Yellow Houseem Sanepa, centra-se no artesanato e arte contemporânea de designers Nepaleses. Aqui podes encontrar pinturas únicas, t-shirts estampadas, fotografia contemporânea e joalharia, entre outras coisas;
-
depois do sol posto, o NexUs Night Market tem vindo a dinamizar os finais de dia na cidade desde 2018; Na última sexta-feira de cada mês, os jardins da comunidade artística NexUs são ocupados por bancas de artesanato, comida e música ao vivo. Ali ao lado é possível jantar no The Village Café, um restaurante de um grupo local de mulheres Newari.
Orar

Três supostos saddhus sentados no Templo Vishnu da Praça Durbar de Kathmandu, realizando o vitarka mudrā. (Créditos: Markus Koljonen)
Os festivais religiosos e culturais são uma parte importante da vida das pessoas em Kathmandu, onde a maioria é de crença budista ou hindu. Ainda assim, a existência de outras comunidades dá à cidade uma cultura cosmopolita, e não é por isso de surpreender que aqui se encontrem vários templos importantes para cada uma delas.
Pashupatinath é o templo hindu mais sagrado do Nepal, dedicado a Shiva. Atrai todos os anos devotos de todo o subcontinente India no, além de um curioso grupo de ascetas conhecidos como sadhus . Estes são geralmente bastante simpáticos e disponíveis para ser fotografados, com os seus corpos e barbas pintados, em troca de uma pequena contribuição, que agradecem com uma bênção.
Swayambhunath é um antigo stupa (uma estrutura budista), construído no século V, com uma coroa dourada e lânguidos olhos de Buda olhando dos quatro lados . Um dos mais icónicos de Catmandu, este templo é um dos sete sítios património UNESCO do vale e está rodeado de estátuas, templos e chortens (um tipo de stupa) de pedra. Por todo o lado circulam primatas, graças aos quais ficou conhecido como o “templo dos macacos”.
Boudhanath é o maior stupa do Nepal, e um importante centro de estudo do budismo e cultura tibetanos, com vários mosteiros construídos à volta do sítio sagrado. É também um sítio património da UNESCO. Embora gravemente danificado no terramoto de 2015, o templo encontra-se restaurado. Durante o pôr-do-sol a comunidade começa a deambular em torno do templo, cantando o mantra Om Mani Padme Hum.
Andar

Praça Durbar de Kathmandu (Créditos: Gerd Eichmann)
Até meados do século X VIII, o vale de Kathmandu estava dividido em três reinos: Kathmandu, Lalitpur e Bhaktapur. Cada uma destas três cidades possui um amplo complexo de palácios, ou Praça Durbar , que testemunham o passado monárquico do Nepal e estão listados como património da humanidade.
A cidade antiga de Kathmandu encontra-se em Basantapur, a sul de Thamel, em torno da praça Praça Durbar, onde a família real residiu até ao século XIX. Vale bem a pena uma visita ao palácio real, assim como aos vários templos hindus e budistas que datam do século XII.
Caminhar pelas labirínticas ruas que vão da Praça Durbar até Thamel pode ocupar-te durante horas (ou dias!) e é surpreendente descobrir santuários e estátuas nos locais mais incomuns. Chegando a Makhan Tole, no canto nordeste da Praça Durbar, continua pela Siddhidas Marg até à praça do mercado de Indra Chowk, onde cinco estradas convergem. Continue em frente pela Siddhidas Marg até Kel Tole, que tem um dos templos mais ornamentados da cidade – o templo de Seto Machhendranath.
Mais adiante na Siddhidas Marg, chegas a Ason Tole, o cruzamento mais movimentado de Catmandu. Uma massa impressionante de pessoas percorre esta rua de manhã à noite, onde se vendem produtos de todo o vale. Aqui há também um magnífico templo de três andares dedicado a Annapurna, a deusa da abundância, que atrai os seus devotos.
Vira à esquerda pela Chittadhar Marg, caminha cerca de 5 minutos e de novo à direita na Chandraman Singh Marg até chegar ao Thahiti Tole. Aqui fica um stupa budista do século XV e um templo Nateshwar, dedicado a Shiva. Num pátio isolado a caminho está o stupa Kathesimbhu, uma cópia do século XVII da grande stupa Swayambhunath localizada nos arredores de Catmandu.
Dos poucos enclaves verdes da cidade, o Garden of Dreams (jardim dos sonhos) é um local sereno para escapar da agitação das ruas. Em frente ao antigo palácio real (que agora é um museu), o jardim, com seus pavilhões e lagos, é o local perfeito para relaxar .
Ao lado de Pulchowk fica a área de Kupondole , que tem a maior concentração de arte de rua da cidade . Basta procurar o templo no cruzamento com Pulchowk, onde a polícia de trânsito geralmente fica, e descer a estrada. Não precisas de ir muito longe antes de ver os belos murais nas paredes – algumas das melhores obras de arte contemporânea podem ser encontradas nas paredes do exterior.
Já conheces o roteiro The Wanderlust no Nepal?
Descobre aqui!
