Todos nós já tivemos a nossa primeira viagem. Não me estou a referir às primeiras férias com os pais no Algarve. Estou a falar da viagem que organizaste sozinho ou com amigos, para a qual trabalhaste para uns trocos ou em que simplesmente te lançaste pelo mundo para viver uma experiência que te fizesse sentir que aquela iria ser a tua viagem!

Quando terminei o secundário decidi que não queria participar na típica viagem de finalistas para os míticos destinos de sol e mar. Sabia que com esse dinheiro poderia pegar na minha mochila, percorrer a Europa, beber uns copos e ao mesmo tempo conhecer novos lugares e viver uma aventura inesquecível com as minhas amigas e que, certamente esta me traria muitas mais recordações e histórias para contar.
Decidimos embarcar num Interrail pela Europa durante 15 dias!
De mochila às costas, com uns exagerados 20kg cada uma (lá está, foi a primeira viagem) três miúdas, começaram a aventura em Amesterdão e em 15 dias percorreram os carris de 8 países parando em 11 cidades. Já deves estar a pensar que foi uma correria! E se foi!
Queríamos absorver o máximo, tanto quanto os nossos olhos conseguissem alcançar e o cansaço deixasse.
Viajávamos nos comboios nocturnos, o que nos permitiu gerir o pouco tempo que tínhamos e também, poupar no alojamento. Confesso que nada se compara à sensação de acordar num país diferente a cada dia, com uma nova moeda e mais um idioma desconhecido. No fundo, foi como se tudo corresse como num sonho em que por magia um teletransporte te permite ir viajando entre culturas e pessoas.

Praga (créditos: Carolina Santos)
Desta viagem ficam tantos momentos especiais que é sempre difícil escolher quais partilhar! Foram os concertos na praça da Cidade Velha, em Praga, os passeios pelo Parque Nacional de Plitvice, as horas passadas nas ruas barulhentas de Nice e Marselha, as tardes adormecidas em jardins e os passeios por aldeias desconhecidas em que os comboios errados insistiam em levar-nos.
Fica a certeza que nunca mais levo uma mochila de 20kg às costas e que perder a carteira na fronteira entre a Croácia e a Eslovénia também não poderá voltar a acontecer. Talvez o melhor seja mesmo não voltar a perder a carteira em nenhuma viagem! Mas esta última, valeu uma das melhores histórias que tenho para contar, uma boleia pela madrugada, de um “avô-polícia” que repetia apenas “Croacia no Sschengen”, e que gentilmente nos levou até à estação para voltarmos para a capital.
Continuando, entre dormidas em bancos de jardim e estações de comboio ficam as pessoas que conhecemos, as conversas nas cabines de comboio, os sorrisos que trouxemos e as experiências que partilhámos. Sobretudo, agora que conhecemos e que visitámos, é como se fizessemos parte da história, dos monumentos e dos trails.
Fica a certeza de querer voltar e conhecer cada país, agora com mais tempo, desta vez longe das grandes cidades.
Se viajar não é o melhor meio para atingirmos a riqueza, aquela que realmente importa, então fico à espera que me digam qual é. Para mim, riqueza é sair da zona de conforto, deambular por ruas em que ninguém me conhece e acabar a ser convidada para partilhar histórias e conhecer locais!
Mais que os destinos são as pessoas, porque as cidades, essas estão lá, as pessoas vão e vêm.
Foi a minha primeira viagem e a tua como foi?!
Aventura-te numa primeira viagem com a The Wanderlust!
